Poucas fases mudaram tanto o jeito de ler a equipe quanto a Coleção Vingadores por Jonathan Hickman Vol. 1. Quando a Marvel relançou o grupo na era que aqui no Brasil ficou conhecida como Nova Marvel, Hickman chegou com uma proposta que parecia simples e era ousada: fazer os Vingadores pensarem grande. Não grande como mais uma briga em Nova York. Grande no sentido de planeta, sistema solar, galáxia. Abri o volume esperando o começo de uma saga, e foi exatamente isso que encontrei.
Primeiras impressões
O que mais chama atenção de cara é a ambição. Hickman vinha de uma passagem elogiada pelo Quarteto Fantástico e pelos Guerreiros Secretos, e dá para sentir que ele não chegou para tocar o título no piloto automático. A premissa é que os Vingadores deixam de ser só um time de resposta rápida e passam a operar em escala global, até interplanetária. O Capitão América amplia a equipe, as frentes de atuação se multiplicam e as ameaças deixam a Terra para trás. Em determinado momento, a Guarda Imperial Shi’ar é destroçada numa lua morta, e os heróis atravessam a galáxia para encarar o que vem pela frente.
Sem entrar em spoilers: não é uma leitura de ação pura e simples. Tem ação, claro, e bastante. Mas Hickman parece mais interessado em plantar ideias do que em fechar capítulos com fogos de artifício. Você termina algumas passagens com a sensação de que acabou de ver só a primeira peça de um tabuleiro bem maior. Para mim, isso é um ponto forte. Para quem tem pressa, pode ser um incômodo.
O que faz a Coleção Vingadores por Jonathan Hickman se destacar
Escala, antes de tudo. Poucos roteiristas conseguem tratar ameaças enormes sem que elas pareçam só barulho, e Hickman faz isso com um tom meio sério, meio idealista, que combina com os Vingadores. Ele acredita na ideia de um grupo de heróis que precisa ser maior do que cada um deles, e a coleção deixa isso claro desde o início.
A arte também segura o peso. Jerome Opeña assina boa parte do material, e o traço dele dá a cada painel uma sensação de grandiosidade sem perder a clareza da ação. Adam Kubert aparece em outros trechos, com um estilo diferente, e a mudança de mãos é perceptível, mas não quebra a experiência. Eu achei que os dois funcionam bem dentro do tom sombrio e ambicioso que a história pede.
Outro ponto: os personagens. Com um elenco grande, o risco de alguém virar figurante é real, e em alguns momentos isso acontece. Ainda assim, Hickman consegue dar a vários heróis um instante de brilho, e o resultado é um time que parece vivo, não só uma lista de nomes famosos.
A Coleção Vingadores por Jonathan Hickman também se destaca por funcionar como ponto de partida. Quem lê esse primeiro volume percebe que o autor tem um plano de longo prazo, e a leitura ganha outra camada quando você entende que cada pedaço está ali por um motivo.
Para quem essa obra é indicada
Se você gosta de ficção científica em quadrinhos, com ideias grandes e ritmo mais cadenciado, essa é uma ótima porta de entrada para a fase de Hickman. Leitores que acompanham os Vingadores há anos e querem ver o grupo em escala maior vão se sentir em casa.
Também recomendo para quem curte sagas planejadas, daquelas em que a recompensa vem aos poucos. É o tipo de leitura que pede atenção. Não dá para folhear distraído e esperar entender tudo.
Por outro lado, se você procura aventuras fechadas, com começo, meio e fim em poucas páginas, talvez estranhe o jeito do roteiro. E quem nunca leu quadrinhos de super-heróis pode achar o volume um pouco pesado como primeiro contato, porque ele pressupõe alguma familiaridade com o universo Marvel.
Vale a pena comprar?
Na minha opinião, vale, principalmente para quem quer acompanhar a fase completa de Hickman nos Vingadores. Esse volume é o ponto de partida natural, e comprar o começo da história costuma ser a melhor forma de decidir se você quer continuar.
Os pontos positivos são claros: roteiro ambicioso, arte de alto nível, uma visão de Vingadores diferente do que se via antes e um autor com plano de longo prazo. O ponto de atenção é o ritmo. Hickman constrói devagar, e parte do que acontece aqui só vai fazer sentido plenamente nos volumes seguintes. Se você tem paciência para esse tipo de narrativa, o investimento compensa. Se prefere resolução rápida, vale saber disso antes de levar para casa.
Considerações finais
A Coleção Vingadores por Jonathan Hickman Vol. 1 não tenta ser fácil, e é justamente isso que me conquistou. É uma abertura que aposta na escala, na ideia e na paciência do leitor. Termina deixando aquela vontade de seguir adiante, e para uma primeira peça de uma saga longa, não vejo elogio melhor.
Terminou esse volume e ficou com vontade de mais Vingadores em escala cósmica? Eu também fiquei. Por isso, escrevi sobre outra leitura dessa mesma fase de Hickman, que mostra o caminho que a história toma logo depois: Vingadores Prelúdio para o Infinito: Resenha.
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